
Quando um ciclista sai para fazer uma trilha desconhecida, longe de sua casa, os conhecidos o chamam de maluco, não entendem porquê alguém precisa fazer um esforço desses às custas de nada. Quem o ama, conhece as inquietudes que lhe vão pela alma, sabe que seu amor veio nesta vida com uma alma agitada e só por isto se encontraram e se escolheram. Assim, abençoa sua partida pedindo a Deus que ele volte logo.
Vejo isto nas viagens incansáveis dos vikings, conforme conta o livro A Cruzada de Ouro: "Mas foram dominados por uma onda de excitação e fizeram um caminho bem longo, estavam agora, bem longe da pátria deles. A presença viking aqui em L'Anse aux Meadows, na América do Norte, está totalmente documentada, corroborada pela arqueologia. Meio enlouquecidos por causa da sede e do cansaço, alguns deles ainda estropiados por seus ferimentos em Stamford Bridge, eles devem ter ficado aterrorizados, mas estimulados, temerosos de a qualquer momento chegar inesperadamente ao fim do mundo, mas aproximando-se a cada dia de Ragnarok, da prova final onde se juntariam à corajosa batalha de Odin e Thor pela última vez, com suas grandes achas-de-armas. Para nós o trópico parece benigno, mas para os vikings ele deve ter sido uma visão do inferno, um aglomerado de aura vermelha que parecia arrastá-los para mais perto de seu destino".
Uma pessoa comum dificilmente pode compreender a mistura de sede, fome, frio, músculos doloridos e membros feridos, envolvidos por ansiedade e medo, que sente o homem e a mulher que testam suas forças, não, suas fraquezas. Mas é uma comoção física que aproxima a pessoa de uma experiência espiritual. Os sentidos ficam tão excitados, a dor é tão real que se parece com uma revelação, um momento glorioso numa batalha de anjos. Essa vivência fica registrada na alma, passa a fazer parte das verdadeiras riquezas que um espírito ao passar pela Terra leva para eternidade. Não fique satisfeito com uma vida comum, tente uma coisa nova e mais forte que te acrescente algo. Seja um viking.