Pesquisar este blog

segunda-feira, março 17, 2008


Depois de falar muito da próxima pedalada à Ibitipoca no feriado da Páscoa, do asfaltamento da descida da serra do Pacau de Bom Jardim de Minas até Santa Rita de Jacutinga e da promessa do deputado Nelson Gonçalves (que não é um político apegado ao povão, mas a elite - concluimos enquanto conversávamos) de asfaltar até a ponte da divisa dos estados e da pescaria ali bem em baixo do bar, no piscoso rio São Fernando, saímos de volta pra casa. Procuramos outros caminhos para conhecer em futuras pedaladas, em tempo mais firme. O céu baixo e pesado era segurado precariamente pelo amigo dos ciclistas malucos, São Pedro.

Foi um passeio curto, 90 km, mas muito bonito, pesado de sabedoria e de belezas da natureza, como este tucano que voou sobre nós e pousou um instante pra João tirar uma foto dele.

terça-feira, março 04, 2008


Somos regidos pelo relógio. É ele que marca a hora de acordamos, os compromissos assumidos e os momentos de diversão. Assim, foi por causa de um desacerto entre dois relógios que a pedalada deste domingo, 02/03/2008, me separou de amigos que havia convidado para subiros a serra da Bocaina, depois de Bananal. Saí do ponto de encontro às 6:10, quando na verdade estava adiantado 5 min. No final deu tudo certo como vou contar mais na frente. A pressa é que íamos encontrar o grupo de Barra Mansa que é rígido com os horários. Todo mundo perguntou pelo João Bosco que foi por outras trilhas.

O pessoal de Barra Mansa estava reunido no ponto de encontro e sem mais delongas saímos em direção a Bananal. Fizemos um tempo ótimo, e em pouco mais de uma hora estávamos fazendo lanche na pequena cidade turística. Começamos com 11 colegas, mas por compromissos dois deles voltaram dali. Então começamos a subida da serra.
Visual deslumbrante! As forças da natureza moldaram a Bocaina na forma de arco. A gente vai subindo e se vê cercado pelas montanhas por três lados, só a retaguarda permanece aberta com um panorama de tirar o fôlego. São 17 km de uma subida íngreme em curvas bem fechadas, mas com um asfalto muito bom. Conversava quase sem fôlego com um colega: "Há dois anos subi aqui com uma bicicleta pesada de quadro de ferro, com relação K7 e com equipamentos sem qualidade. Neste ponto estava pedindo pra morrer. Desta vez espero cumprir o trajeto mais inteiro já que meu corpo está mais preparado e a bike é bem equipada". Ledo engano.

Lá em cima, com as pernas trêmulas, entramos por uma bifurcação e a subida ficou mais difícil, o chão muito irregular coberto de pedras soltas. Tive de desmontar e empurrar. Numa fonte enquanto enchíamos o cantil com água geladinha e matávamos a sede o colega Alex fez uma comparação que me abriu a mente. “O Brasil já ganhou 5 campeonatos mundiais de futebol e participou de mais de 20. Será que o próxima Copa do Mundo vai ser mais fácil? Se nosso time for pra competição com este idéia, vamos perder. Sempre será um sacrifício. Assim é a subida da Bocaina, a gente pode estar mais bem preparado fisicamente e com uma bicicleta mais equipada, mas chegar lá em cima sempre será muito desgastante. Aí é que está a beleza da gente vir aqui, o desafio”. Alex falava estas palavras sábias enquanto me oferecia uma batata quente, no bom sentido. Ele cozinha batatas e leva embrulhada em papel alumínio. Depois, de um saquinho, asperge orégano em cima da batata, fica uma delícia. Bem lá pra frente, com um pouco de atraso, chegamos no ponto mais alto da trilha, o mundo estava lá em baixo. Eram 11:30, afinal fizemos a subida da Bocaina num tempo muito bom.

Quando chegamos nas cachoeiras foi só alegria. A água estava numa temperatura ótima. Um pouco fria, mas que só aliviava nosso corpo cansado. Com 7 bacias com profundidade que dá pra nadar, cada uma tem sua característica. Essa aqui é boa para relaxar e nadar.

Esta pedra é um tobogã formidável. Veja o vídeo no You Tube.



Nessa aqui a cortina d’água faz uma massagem nas costa da gente que é uma beleza.

Ficamos mais de uma hora brincando nas cachoeiras. Essa é a terceira queda.

Enquanto a turma descansava dei uma pedalada até a Estação Ecológica e visitei a última queda d’água em meio a bromélias, palmitos, samambaias e as imponentes araucárias. O clima no alto da serra é muito agradável e o ar não podia ser mais puro.

Então, corri atrás do pessoal que já tinha voltado e a descida é um downhill espetacular. Primeiro no caminho de pedras soltas em que tudo trepida e parece que os braços esticados da gente vão desmanchar, depois no asfalto em que a bike quase sai voando e a gente tem que estar ligado nas curvas e com os freios nas pontas dos dedos.

Em Bananal, na praça, descansando, esbarramos com o pessoal de Volta Redonda, de quem nos desencontramos por causa do relógio. Foi um encontro camarada em que pude contar minha experiência de subir até as 7 Quedas. Depois, já chegando em Barra Mansa, paramos para relaxar tomando uma cerveja dourada e geladinha. Ali, os amigos conversaram mil coisas emoldurados por um lindo pôr do sol.