Pesquisar este blog

quarta-feira, março 26, 2008


Na 6ª feira, depois de um lauto café colonial fiquei me comichando para dar uma pedalada, afinal, meus colegas naquela mesma hora deviam estar entrando no caminho de Itaboca. Convenci Lili a se distrair na pousada enquanto eu corria pelos caminhos de Minas Gerais. Dei sorte de encontrar um senhor que me indicou a trilha da Ponte Nova. Foi um caminho bonito, com uma subida poderosa e belas descidas no meio da mata. Vou contar esta aventura depois. A tarde, tentei falar pelo telefone com os colegas e não consegui. Depois fiquei sabendo que eles passaram por Lima Duarte bem na hora em que eu e Lili fazíamos turismo numa cidade que estava com todas as lojas fechadas por causa do feriado. Mas sempre se descobre o que fazer e até assistimos um pouco da procissão.

Sábado chegou. Havia combinado com Lili que ia sair cedo, pedalar até o alto de Ibitipoca e voltar antes de terminar o almoço na pousada. Sai 7 h com o dia amanhecendo e o nevoeiro cobrindo as baixadas onde corriam riachos alegres. Como era sábado de Aleluia fiz questão de tirar uma foto com o judas.

Chega de conversa porque já não tinha fôlego nenhum. Depois de correr subindo e descendo morros por 20km subi os 7 km da serra bufando. Havia uns trechos que não consegui fazer montado. Mas o tempo urgia e em menos de uma hora via o mundo lá embaixo.

Quando entrei no arraial de Conceição de Ibitipoca olhava pra todo mundo que enchia a rua estreita, era só garotada que já começava o dia bebendo. Mas, de repente, vejo Dunga e Marcinho com outros dois colegas. Foi uma grande alegria. O companheirismo que fazemos entre os ciclistas é uma coisa bonita de se ver.

Deixei-os tomando café e corri para o acampamento onde encontrei todos aqueles rostos felizes: Reginaldo, Zoreia, João Bosco, Manoel, Eduardo, Naldo e outros mais.
Zorei, sempre brincalhão não foi pedalando, mas disse ter sido um fiel guardião das esposas e filhas dos colegas que foram de van.

Daí, fui com João ver Rafael, Márcio e outros que entravam no parque para passear e, depois de me despedir da turma, voltei correndo para Lima Duarte.

Assim, pisando nos cascos, consegui agradar a esposa e subir a serra de Ibitipoca. Assim é a vida. Há que se saber viver para cumprir bem a empreitada que assumimos. Não se pode agradar só a gente se vivemos com outro.

segunda-feira, março 17, 2008


Depois de ligar duas vezes para João Bosco pensei que ia pedalar sozinho neste domingo, 16/03/2008. Chuviscava ainda durante o amanhecer e só um maluco ia sair pedalando num tempo deste. Mas um Sol desanimado apareceu no céu carregado, me enchi de brios, vesti o uniforme e sai com a bike. Decidi andar pelo asfalto fugindo das estradas embarreadas. Meu destino me levou em direção ao bairro de Santa cruz onde mora João e arrisquei a ligar pela terceira vez para ele. Desta feita a resposta foi positiva e saímos em direção a Santa Izabel do Rio Preto com a intenção de almoçar no bar da D. Marilza. Subimos a Mutuca cheios de disposição.

No ano passado andamos por ali com a terra seca da invernada, agora tudo era verde e riachos corriam onde nunca vimos cascatas, enquanto o marulhar de água correndo enchia nossos ouvidos. Por outro lado a terra dos barrancos não agüentava tanta umidade e em vários trechos vieram a baixo quase cobrindo a estrada.

Pedalar com João Bosco também é um exercício filosófico. Conversamos muito sobre a lei da atração, pensamento que hoje enche as mentes mais ilustradas. Tudo muda neste mundo – ontem não estava tudo ressecado e agora não está tudo encharcado? Pois é, então desde São Judas Tadeu que inventou o conceito de “ver para crer” e que permeou o pensamento materialista e o religioso durante dois séculos, agora se chegou a nova conclusão, ao paradigma quântico: “crer para ver”. E toda esta sábia conversa discorria enquanto passávamos por fazendas e ao longo de verdejantes pastos.

Neste prozeado entramos em Santa Izabel do Rio Preto sem cair um pingo de chuva sequer em cima dos nossos uniformes. Fomos direto pra mesa esperar a comida quentinha que a futura hoteleira preparava para nós. Ela perguntou: “o ovo frito é da roça ou de granja?”, ora, respondemos: “bem vermelhinho, de quintal”.