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domingo, março 06, 2016

PEDAL COME-COME

Em dia de pedalar acorda-se cedo e se toma um café reforçado, porque muitas vezes não se encontra mais nada para comer. Mas o pedal de hoje, domingo 06/03/2016, foi muito diferente, comemos sem parar.

Eu e João Ademar saímos pedalando para Amparo, mas a intenção era chegar ao sítio do amigo Leônidas, em São José do Turvo. No caminho, depois de Santa Cruz, encontramos o amigo Pedrão Selva no meio de jovens ciclistas consertando uma bike. Ele nos disse que não estava com o grupo, mas pedalava sozinho. Coisa rara no caso dele. Foi com a gente.

Em Amparo paramos no posto de gasolina e tomamos café com pão na chapa. Voltamos a rodar entrando numa estrada de chão. Perto do Turvo entramos num caminho de fazenda e subimos. Depois de encontrar uma carroça de boi 

continuamos e chegamos ao sítio. A família nos esperava com um lauto café na mesa. A conversa rolou solta e comemos muito.

Daí saímos para o pomar e colhemos graviola, e comemos, subi no pé de goiabeira, colhi frutos maduros e comemos. 

Então cismei de arrancar um aipim, replantei pedaços do caule, lavei as raízes e deixei com D. Cleuza para cozinhar. Depois o comemos frito e cozido.
Fomos à cachoeira falando de muitos assuntos, inclusive psicologia, e voltamos descansando e conversando na varanda até a dona da casa nos chamar para a mesa onde comemos até fartar. Almoço delicioso. 

Conversa boa rolando chegou doces de leite e de goiaba e queijo Minas bem curado. Uma delícia. A custo levantamos da mesa e conversando nos aprontamos para a volta pedalando. 

Andamos só 70km, mas o que comemos!!!

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Ciclovia Tim Maia

É tranquilo e seguro pedalar por uma ciclovia bem feita. 

Desde o aeroporto Santos Dumont o ciclista fica livre da pressão do trânsito de automóveis e ônibus. Rodeado de um visual lindo e cercado de gente feliz, especialmente aos domingos, pedala-se como se estivéssemos nas nuvens. 

Pedala-se pelo Aterro do Flamengo, Urca, Copacabana, Ipanema, mas quando se chega ao Leblon encontramos uma obra de engenharia espetacular feita para quem caminha e para os ciclistas. 

Num trecho que os engenheiros roubaram ao granito da serra e que só dava para passar um ônibus pra lá e outro pra cá, tinha-se de pedalar com o coração na boca. Agora, com a ciclovia Tim Maia encravada na rocha a gente pedala praticamente sobre o mar. 

Um visual maravilhoso leva a gente com tranquilidade até o Arpoador. Logo a chegada desta praia se avista os megálitos da Pedra da Gávea e do alto da Tijuca. 

Aí é se preparar pra subir e sem ciclovia.

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Rio Maravilha visto pedalando de bicicleta.

Pedalar no Rio é mais que um exercício físico, é uma apoteose de cores e formas. 

Tanto as obras humanas quanto as paisagens naturais nos distraem o tempo todo. 

Parece uma igreja barroca onde o crente se vê cercado de tantas coisas lindas que esquece as dificuldades de sua vida, as mazelas que o cercam cotidianamente e fica deslumbrado com tantos detalhes maravilhosos.

Logo que sai da rodoviária seguindo pela nova região do Porto, depois de uma curva, dei com os carros alegóricos que participaram do Desfile das Campeãs na noite de sábado. 

Cortando a avenida Rio Branco toda em obras cheguei ao Aterro e pedalei vendo a beleza do Pão de Açúcar, do mar rebrilhando e do Cristo Redentor. 

Depois do túnel Novo entrei em Copacabana com a pista principal fechada para carros e fui pedalando até Ipanema onde deparei com o projeto Pedalar para deficientes visuais. 


Que lindo ver na bicicleta para dois ciclistas um jovem levando quem não vê o mundo, mas sobre a bike sente uma porção de sensações novas.

Tudo era felicidade, boa vontade e alegria. É o Rio Maravilha.

terça-feira, fevereiro 09, 2016

Serra de N.S. do Amparo - a travessia

- O sinhô vai virar a serra?!
Tínhamos ido lá pra isso, aliás há 15 anos ouço falar que dá para ir de S. José do Turvo à Santa Izabel do Rio Preto por cima da serra de NS do Amparo, então fomos. 

O início da manhã estava uma pintura e pedalamos com vontade. 

Porém, na fazenda Parnaso começou uma subida forte. 

Deu para ir pedalando, mas depois do sítio do ‘seu’ Elson... 

Bem, foi só empurrar a bike vendo a paisagem que ia ficando mais linda a cada 100 metros de subida. Era só subida forte. 

O jovem Saulo de BH, que está trabalhando na CSN, foi fera, nós os velhos subimos penando. 

Mas ‘não há bem que sempre dure’ e a subida acabou, chegamos na virada da serra. 

Mas deixe-me esclarecer uma coisa. Uma serra não é um muro que você sobe, passa por cima e desce. Uma serra como a de Amparo tem 100 km de extensão e 20 de largura. Quando se chega lá em cima, para encontrar o lugar de descer tem que se pedalar 30km. 

Mas foi um lindo pedal. Quer ir lá comigo? Tô doido pra voltar.

segunda-feira, janeiro 25, 2016

Passos de Anchieta, um longo pedal (2ª parte).

Pode ir por esse lado mesmo ou, por um viaduto, atravessar para o outro lado. Perde-se o mar de vista até um lugar chamado Lago Grande, em Ponta da Fruta. Atravesse a estrada e desça para a praia para pedalar pela estradinha de chão firme.

Se quiser ande um pouco pela areia.

Subindo de volta para a via expressa procure o restaurante do Gaúcho, Italian, ele também é ciclista, e deguste um bom almoço.
Então, depois de um descansinho passe para o outro lado da pista e no acostamento, sem ver o mar, pedale até encontrar a Samarco e logo na frente entre à esquerda.

Veja o mar novamente e siga pela estradinha de chão. Vai passar pelo museu das tartarugas e chegar em Meaípe. Um banho de mar seria bom.

Deve ser cedo ainda. E continue procurando sempre o mar até Anchieta.

O hotelzinho Beira Mar, de dona Nízia, é barato e simpático. Tem um bar de frente para um mar que não é bom de nadar. Mas fique vendo as ondas, se hidratando e comendo um peixe e jogando conversa fora.

No outro dia, depois do café da manhã, visite o santuário de Anchieta ali pertinho.

Passos de Anchieta pedalando.

Se for fazer os Passos de Anchieta, deixe te dar algumas dicas.
O caminho de menos de 100km pode ser feito a pé, 4 dias, bicicleta, 2 dias, ou por outros meios. Para quem gosta de estar em meio a multidões a data é 26/05/2016. Quase 4.000 participantes vão sair da Catedral em Vitória. Se seu estilo é andar na companhia de uns poucos amigos mais chegados, então você escolhe a data.
Vou descrever minha experiência com dois amigos, Edson e Nardeli. Fomos de ônibus 

(R$240 ida e volta) com muito conforto: ar condicionado gelado, poltrona bem reclinável e descanso para as pernas. Viaja-se às 20 h e chega-se em Vitória às 7 h. Uma higiene, um lanche e partimos com as bikes.
Saindo da rodoviária por onde saem os automóveis já estamos na ponte velha, de arcos, com lugar para atravessar montado na bike. 

Mas antes de entrar na ponte é essencial seguir a avenida que beira o canal até o palácio Anchieta, com escadaria e forte cor amarela. 

Dando a volta sobe-se mais um pouco e chega-se a Catedral. É orar, pedir proteção para a empreitada e voltar até a ponte velha.

Atravessando seguimos por uma calçada estreita até a larga avenida de duas pistas. Tem ciclovia dos dois lados. Toque até o fim. Depois de rodar quase 10km já se vê o morro do convento. 

Siga as placas. É preciso deixar as bikes na portaria. O guarda vigiou as nossas. Mas se alguém puder levar um cadeado amarre-as juntas. Suba com coragem até lá no alto. A vista é linda e se pode rezar de novo.

Em baixo siga à esquerda em direção ao mar. Logo se vê a orla. Tome uma água de coco e admire a beleza chocante do lugar. 

Mas não demore muito, vê-se o mar o dia todo. É só seguir pela ciclovia mais 10 km. 

Ela acaba, mas um trilhozinho de chão leva à direita até a via expressa. Tem uma ciclovia sem fim.
Amanhã conto mais.  

Samarco e as tartarugas marinhas

Depois de Guarapari, nos Passos de Anchieta, passamos em frente ao portão de uma grande fábrica, a Samarco. 

Perguntei aos colegas: Já vi esse nome, é empresa de quê? Edinho respondeu: É a mineradora que provocou aquele desastre em Mariana, ‘seu’ Zé!
Sim, claro: mas o que a Samarco está fazendo ali? Ao entardecer, sentado diante do mar que batia em ondas ritmadas na areia da praia de Anchieta, o jovem dono do bar explicou.

O minério vem bem diluído de Mariana para Anchieta por enorme duto com 400 km de extensão. Aqui ele é aquecido e pelotizado. O ferro é transformado de areia em pelotinhas. É exportado dessa forma. A empresa tem aqui mais de 3000 funcionários, fora os terceirizados de limpeza, segurança, etc. Todo mundo foi colocado em férias coletivas e estão recebendo mil e poucos reais. Se ao final de quatro meses a mineradora, lá em Minas, não voltar a produzir todo mundo será despedido.
Depois de uma noite bem dormida voltamos a pedalar no domingo. Fizemos um caminho diferente, mais nos Passos de Anchieta, quer dizer, menos asfalto e mais estrada de chão a beira mar. 

Vínhamos voando por uma estradinha cheia de costelinhas quando tivemos de frear bruscamente. No meio de dunas e mata de restinga uma loja envidraçada com exposição sobre tartarugas marinhas nos chamou atenção. 

Aquelas praias são pontos de desova. E sabe quem financia o trabalho de proteção, coleta de ovos e devolução das tartaruguinhas ao mar? Isso, mesmo, a famigerada Samarco. 

Que trabalho lindo! Vimos uma enorme tartaruga verde empalhada, 

maquetes dos bichinhos saindo do ninho 

e correndo para o mar, os crânios de diversos tamanhos,

e réplicas dos diversos tipos de tartarugas que depositam seus ovos naquelas praias desertas.

Então, é o que a gente sabe: ninguém é inteiramente bom ou completamente mau.   

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Passos de Anchieta, de bicicleta.

UMA PALAVRA SOBRE O PEDAL PASSOS DE ANCHIETA
Quando se faz um pedal em que temos de dormir fora, precisamos levar bagagem. Alguns colocam porta-embrulho e compram alforjes. A bicicleta de meu amigo Pedro Raimundo Raimundo era tão pesada que eu não conseguia levantar. (aqui no caminho para Piedade do Rio Grande)

Se pudesse eu levava só a escova de dente. Levo o menos possível. Lembro de JESUS ensinando: Meu fardo é leve.Para seguir os Passos de Anchieta teremos de andar dois trechos sobre a areia da praia: de Ponta da Fruta - Setiba, 

são 14km, e Castelhano - Ubu 10 km. 

Mas faremos isso simbolicamente: no sábado andaremos uma hora na areia e no domingo também. Pense bem, com uma bicicleta pesada e empurrando a gente não sai do lugar. Então, fardo leve.
Será preciso levar "um velho calção de banho", porque teremos "um dia pra vadiar" junto ao mar. Mas na maior parte do tempo vamos meditar. Este é o propósito desta trilha.
Então duas fotos: Pedrão e a bike pesada e a praia de Setiba.