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sexta-feira, agosto 12, 2016

Muita alegria de pedalar.

Não é obrigatório fazer tudo sempre igual. 

Pessoas há que temem o novo, o desconhecido, mas um das coisas que aprendi quando me iniciei na bicicleta aos 7 anos é que "do chão não passa".

Sendo assim, sinto alegria em ver novas paisagens, descortinar vistas diferentes em lugares que antes já passei. Foi assim que fomos pedalando até Vargem Alegre e dali seguimos para os Sem-Terra e, quase lá, dobramos a esquerda. Quanta coisa bonita nos foi mostrada neste belo mundo que vivemos!

Mas não achamos a trilha para sair em Santanésia. Então, tenho de voltar lá e procurar diligentemente, mas com muita alegria de pedalar.

sábado, julho 16, 2016

Não há caminho que não possa ser melhorado.

Não há o que inventar, a estrada de Barra Mansa para Rialto é conhecida de todos os ciclistas da região. 

Andei nesse caminho duas dezenas de vezes, desde o tempo que Inês Pandeló prometia que seria asfaltado e nada acontecia.

Mas não há prato que não possa se melhorado, acrescido de algum ingrediente e tornado mais saboroso. Foi o que fizemos, eu e o amigo Joao Ademar. Basta dizer que começamos o pedal passando uma porteira na Dutra, 

o resto você vê nas fotos. Acho que o único local que você já passou é em frente a igreja da sede do distrito.

Então, ao pedalar para um mesmo lugar, lembre-se de que o passeio sempre pode ser melhorado.

domingo, julho 03, 2016

O FIM DO CAMINHO

Quem não anda de bicicleta para fora das cidades não conhece esta situação.
Antigamente, no tempo em que as estradas eram percorridas por carros-de-boi, cavaleiros e tropas de burro, os caminhos ligavam lugarejos. Neste sábado, 2/07/2016, eu e o amigo Joao Ademar pedalamos entre Massambará e São Sebastião dos Ferreiros, aquela em Valença e essa em Miguel Pereira.

Com o advento dos veículos motorizados foram abertas outras estradas e os velhos caminhos sofreram uma interessante transformação. Eles vão servindo as fazendas até perto do limite do município, daí vão ficando pouco utilizados e viram um mero trilho.

Lá adiante, já no outro município, volta a ser caminho de servidão dos sítios.
Então, pedalando, você vem por uma estradinha e de repente ela acaba.

E só a convicção de que estamos no caminho certo nos faz prosseguir até acha-la novamente, lá adiante.

Essa variedade de terreno torna o ciclismo de mountain bike uma maravilha.

segunda-feira, junho 20, 2016

Acordar cedo pra ver a vida.

Quantas pessoas acordam às 5 horas todos os dias para ir trabalhar. Focados na obrigação muitos nem notam o espetáculo de um novo dia que começa. 

Mas quando se sai para pedalar todos os sentidos ficam aguçados e nenhuma beleza escapa ao guerreiro sobre sua bike.

Saímos bem cedo, a luz ainda era um lusco-fusco, com o ar gelado entrando pelo nariz e alfinetando a pele. Corríamos para Rio Claro para enfrentar o desafio de subir a serra da Bocaina por outro caminho.

Agasalhados, sem pressa, tocávamos nossas bikes, primeiro no asfalto dividindo a pista com os carros, mas logo entramos por uma estrada de terra e toda preocupação, tensão, perturbação e outros tantos ãos ficaram para trás.

Andamos entre titãs de granito que saíram do núcleo da Terra há milhões de anos, quando a raça humana ainda era um Projeto de Deus. Aqueles megálitos nos apequenavam e desafiavam nossa coragem e persistência. 


E começamos a subir até que numa curva do caminho divisamos o imenso vale entre as serras.

Nossa missão, sair do vale e chegar lá nas alturas, a 1.200 m. E fomos.

domingo, junho 12, 2016

Robertão, a serra cheia de surpresas

Não, você ainda não ouviu falar de knickpoints, é um estrangeirismo usado pelos estudiosos de geologia. Acontece que na difícil trilha do Robertão vimos diversos exemplos de knickpoints sem, no entanto, reconhece-los. 
- Diz logo o que é isso, Zé.
Diz a professora de Geologia da UFRJ Telma Mendes da Silva: Eles são identificados na paisagem como “degraus”, de diferentes dimensões, ao longo de um perfil longitudinal de um rio e cujo comportamento é reconhecido pelas características de fluxo. De acordo com Crosby & Wipple (2004), knickpoints estão associados com a dinâmica de ajustamento de canais fluviais que acompanham alterações climáticas e tectônicas. Vários knickpoints – 35,8% dos casos estudados no médio Vale do rio Paraíba – encontram-se concentrados na porção NE da serra de Nossa Senhora do Amparo.

Vou explicar. Desde que começamos a forte subida da serra passamos pelo Ribeirão Claro inúmeras vezes, isto porque a serra sofreu a formação de “degraus” que mudam a direção do leito do ribeirão. 
Para você ter uma ideia, em menos de 5km subimos de 490m/nível do mar para 990m em várias subidas. 

É um grande esforço, as pernas e os braços trabalham como pistões sincronizados e rítmicos de uma máquina humana. O mundo vai ficando pequeno e a superfície da região sul fluminense mais parece um encapelado mar de morros.

Quando se chega lá no topo, depois de uma porteira, 

se entra num pasto de altitude e logo à esquerda tem um trilho que nos leva a atravessar o ribeirão em seu começo. Com um ano bem úmido, de muita chuva, tivemos de atravessar um banhado cheio.

Depois de rodar por trilhos estreitos chegamos a “porteira do alto”, onde o pedal ficaria adrenalina pura. Ali tem um trilho que desce com o despenhadeiro à direita. Mas não encontramos o trilho, quer dizer, achamos mas debaixo de um matagal. 

O tempo bem irrigado fez o mato crescer muito e pouca gente tem passado por ali. Resultado, tivemos de abrir o caminho nos peitos.
Mas chegamos embaixo e logo estávamos no asfalto Amparo-Sta. Isabel. Foi um belo pedal para quem não tem medo de aventura e do imponderável.

Aquela serra guarda muitos caminhos, e já tive o prazer de conhecer alguns.

domingo, maio 08, 2016

Mistérios do ciclismo.

Almoçando nos meandros da serra do Matoso o amigo Luciano peguntou: Não passamos de 500 m de altitude, quando vamos começar a subir? Ele falou isso porque íamos à rampa de asa-delta e ele imaginava que o pessoal saltava de mais de 1000 m. (foto do colega Leandro)

Porém sua inquirição me chamou atenção para um detalhe: como é possível termos subido 3.134 m (os colegas usam um programa de computador no celular, o Strava, que registra o caminho, o esforço que fizemos e quanto subimos) e não passarmos de 500 m de altitude? 

Matutei. O Brasil tem uma topografia em forma de escada. O mar e a faixa litorânea, depois a serra do mar que leva ao vale do Paraíba, e a Mantiqueira levando ao planalto central. Quando saímos de Volta Redonda estávamos a 400 m do nível do mar. 

Pedalando para Rio Claro temos a impressão de estar descendo, mas lá continuávamos em 400 m.

Pegamos a estrada de Mangaratiba até a serra do Piloto que fica a 400 m e então subimos para o Matoso a pouco mais de 500 m. 

Depois do almoço, quando descemos para Itaguaí, na rampa de salto onde se descortina a baixada espraiada lá embaixo, ela também fica a 400 m.
Então, onde está a resposta a questão?
Está no aviso que o amigo Ademar nos deu quando partimos da rodoviária de Rio Claro: agora vai começar o tobogã! É isso. Todo caminho é um incessante sobe e desce e a impressão que os sentidos nos dão é que estamos só subindo.

Na realidade ficamos na mesma faixa de altitude mas fazendo um tremendo esforço nos sobe e desce do caminho.
Porém, foi um belo pedal. Como sempre vimos muita coisa. Meninos de Santa Cruz, do Rio, fazendo rapel numa ponte, 

cavaleiros e belas amazonas passando faceiras pelos ciclistas, 

um almoço num lugar muito lindo, a vista da baixada visto do alto da serra e 

o silêncio e a tranquilidade de caminhos pouco circulados.

segunda-feira, maio 02, 2016

O sol faz desenhos de luz no chão.

Estava frio, era longe, o ônibus partia às 5 h; precisa-se ter muita vontade de pedalar para enfrentar todos estes obstáculos. 

Mas ver o dia amanhecer, o dia chuvoso clarear em muitas cores, encontrar o amigo e sair pedalando compensou todo esforço. 

Estávamos em Perequê, Angra dos Reis, faixa litorânea cercada de serras. E fomos nos embrenhando para aqueles sertões. 

A vegetação é diferente, os rios que vem da montanha cortam a estrada e a sombra das matas deixa o sol fazer desenhos de luz no chão. Foi um belo pedal.

quarta-feira, abril 27, 2016

Este belo amanhecer, fiz ele para você.

Estou lendo um bom livro A GRANDE CASA DE DEUS, ele não é sobre ciclismo, mas leia este pedaço, por favor:
"O pai passou boa parte da noite acordado montando a bicicleta nova para o filho. Por que ele faz isto? Porque ele quer ver os olhos do filho se arregalarem e espera ouvir ele falar: Papai, você fez ela pra mim?!
É por isto que Deus fez [usando as leis naturais que Ele também elaborou] um amanhecer cheio de dourados, uma árvore carregada de flores lilases e um céu estrelado com uma grande lua prateada. Ele fez tudo para nos ver prender a respiração, para ver a gente parar e admirar e para nos fazer pensar só em coisas boas.

Todos os dias o Criador está prestando atenção em cada um de nós, à espera de que descubramos os presentes que Ele fez pra nós.
Então, saia da toca, acorde mais cedo, esfregue os olhos e saia e veja os lindos presentes. Ele está esperando que seus olhos se arregalem e seu coração salte uma batida. E neste momento de silêncio e admiração, escute, você vai ouvi-lo sussurrar: Fiz isto pra você.

domingo, abril 17, 2016

Os olhos ficam atarantados com tantos lugares bonitos.


Nas terras de Valença onde os negros foram escravizados por décadas e onde construíram caminhos calçados de pedra e casarões de fazenda e plantaram e colheram café, quando se vence a serra da Glória 

damos com uma estrada chamada do Caixão. É um sobe e desce entre vales apertados por morros e encostas rochosas até chegar em Taboas e o asfalto para Rio das Flores. 

Naquela passagem que coleia em curvas, subidas e descidas os olhos ficam atarantados com tantos lugares bonitos.

É um sítio com um lago cercado de buganvílias e acácias,

ou uma casa de fazenda entre o arvoredo que ensombrece e refresca, 

uma pedreira que surge do chão como um gigante

e nos altos o infinito se desdobra em verdejantes encostas, vales, gargantas e montanhas no horizonte. 

Um pedal por trilhas assim, sem carros nos assustando, sem comércio barulhento e sem desavenças e competições é um refrigério para a alma. (foto do amigo Paulo Renato)

domingo, abril 03, 2016

Canção Nova, pedalando com fé

Para fazer um grande pedal é preciso: desejar de coração, ter condições físicas e dispor de algum dinheiro e tempo. Reunindo todas estas condições fui à Cachoeira Paulista, 120 km pela Dutra, para assistir à missa da Misericórdia feita pelo padre Jonas Abib.

Não precisei sair cedo, assim às 7 h deixei Volta Redonda, passei por Barra Mansa e peguei a Dutra. Num pedal longo a diversidade de ambientes e belezas naturais ajudam muito, mas uma rodovia federal geralmente é estéril. É só para passar apressado sem olhar a paisagem, que nela é bem fraca. Ainda assim fotografei rios correndo mansamente e serras em sua posição inflexível.


Como planejei, e isto é fundamental num longo pedal, cheguei no alto da serra de Cruzeiro às 14 horas, 

desci como uma flecha e depois de uma curva vi rebrilhar em prata a igreja da Canção Nova. Lá passei por momentos de devoção, 

emoção e gratidão. 

Assim mesmo, tudo no aumentativo.