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domingo, abril 12, 2009


Ibitipoca 2009
As terras altas da Mantiqueira são mágicas e cheias de mistério. Pedalando lá em cima das serras o ciclista tem a impressão de que tem o mundo aos seus pés. A estradinha se estende como uma cobra muito comprida, cheia de curvas e passando entre cortes feitos nas pedras, como se nada pudesse estorvar sua passagem e a dos caminhantes que se aventuram por estas veredas, seja a luz brilhante do Sol, seja ao luar no meio da noite fechada. Tudo ali parece magia.

Tivemos a ventura de percorrer estes caminhos no meio da capoeira. Atravessamos lugarejos (como Vargem do Brumado) e cidadezinhas quase mortas (como São José do Palmital), esquecidas no meio do nada e que tão bem foram descritas por Guimarães Rosa. Para chegar ali pedalamos 60 km por cenários bem conhecidos e que não vou me demorar descrevendo: Amparo, Santa Izabel do Rio Preto e Santa Rita de Jacutinga. Mas vou falar do que vimos naquelas alterosas.

Aí sim, estávamos no alto da Mantiqueira vendo os vales verdejantes se estendendo lá em baixo. Território desconhecido para nós, tratamos de consultar o mapa do trajeto feito por Reginaldo que por esta hora devia estar saindo de Volta Redonda com outros ciclistas. Passamos pela entrada da fazenda Três Poderes (assinalada no mapa) e continuamos para o marco seguinte, Capoeira Grande. A tarde carregava as cores de um amarelo ouro que enchia o coração da gente de nostalgia.

Chegamos no pequeno povoado junto com as sombras da noite que vinham correndo atrás de nossas bikes. Depois de nos hidratarmos e nos informamos sobre o próximo marco, o Cruzeiro. Veio a boa notícia: Ora estava pertinho! Só mais 3 km! Conforme informação da Secretaria de Turismo de Lima Duarte, município ao qual aquelas terras pertence, no Cruzeiro encontraríamos o bar do João Cambão que nos arranjaria um lugar para pernoitar. Saímos com os faróis acessos porque aproveitando a parada da gente a noite nos passou a frente.

Daqui a pouco apareceram faroletes cortando a noite. Saímos para a estrada gritando e incentivando nossos cansados colegas que foram recebidos com abraços e muitas palmas. A pousada já estava reservada na localidade de Souza, mais 3km à frente. Tocamos para lá para um banho demorado, uma volta pelos barzinhos do local e para uma noite bem dormida. Era véspera da sexta-feira santa.

Acordei com os galos cantando e não consegui ficar deitado quieto. Levantei, me arrumei e deixando a turma “nos braços de Morfeu” saí para o sereno. Havia uma claridade baça no céu. Os galos continuavam desafiando o Sol a aparecer. Na rua vi a silhueta de outro que acordou cedo. Mas logo todo mundo estava saindo de casa, um vizinho chamando o outro. Não era coisa ruim porque todo mundo estava alegreO alvoroço aumentou. Perguntei a uma mulher o que era aquilo e ela respondeu: “Hoje é dia de pegar leite na fazenda!” Não entendi e ela explicou: “Na sexta-feira santa os fazendeiros distribuem leite de graça. Vai todo mundo pegar o quanto pode!” Vinha passando um fusca, pedi carona e fui também pegar leite “de grátis”. O "seu" Fernando (o da direita) nunca tinha vindo a este cural e custamos um bocado a achar o lugar. Quase perdi a hora, porque mineiro não tem pressa. Além de 30 litros de leite ele e "seu" Joaquim ainda pegaram duas morangas.

sexta-feira, março 28, 2008


Entrei na Pousada Arco-Iris, na noite de 5ª feira. Na sexta-feira santa, depois de um delicioso café da manhã colonial, vesti o uniforme e saí procurando uma trilha, no mesmo instante em que a turma suava subindo de Taboão para Olaria. Pedalando por ali soube por um senhor que a turma do pedal desta bela cidade mineira faz uma trilha muito bonita que começa na igrejinha do bairro Manejo e segue subindo um morrão tipo Mutuca, enveredei por ela suando para chegar em tempo para o almoço com a patroa.

terça-feira, setembro 25, 2007


Domingo não foi um dia de descanso. Pedalaram de volta pra casa por mais de 160km. Quem não dá valor a uma pedalada com esforço podia perguntar cheio de inveja: ‘Por que estes discípulos não descansam no domingo do Senhor?’ Fazemos nossas as palavras do grande Mestre Jesus: ‘Eu sou o Senhor do sábado e de todos os dias. A cada dia faça o bem, ame seu irmão e goze do mundo que o Pai fez pra vós com amor. Seja caminhando, seja pedalando’.