Pesquisar este blog

segunda-feira, outubro 15, 2007


Se a gente procurava uma opção para evitar a subida da Mutuca perdemos tempo, por 1,7 km pegamos uma subida dura com uma inclinação de 65º que não deu para subir montado. Os jovens voltaram e só o mais velho deles, Vinicius, continuou com a gente. Lá do alto a paisagem era deslumbrante. Vimos uma estrada serpenteando lá em baixo e decidimos de outra vez procurá-la. Parecia ser outro caminho de Amparo para S. José do Turvo.

Lá em cima, vimos as nascentes de dois riachos serem desmatadas impiedosamente. A água das chuvas, sem a vegetação que as guarda no solo úmido da mata, rola pelos morros abaixo e na seca não tem o precioso líquido para manter os riachos perenes. Vou denunciar agora mesmo ao Ibama e a Polícia Florestal – tomara que eles tenham por lá um capitão Nascimento durão pra sentar uma multa pesada nos salafrários.

Depois a estrada acabou, virou pasto e trilha de boi no meio de arranha-gatos e samambaias. O trilho quase sumido no meio da erva selvagem exigia um cuidado extremo para não despencar pela ribanceira aberta ao nosso lado direito. Foi o que aconteceu com o experiente Dunga que rolou pelo precipício, mas foi seguro pelas samambaias bravas. Ninguém se maxucou, fora os arranhões dos espinheiros. Foi uma pedalada dureza.

Foi uma terrível pedalada que lembrou aos que foram à Ibitipoca a dura subida do Taboão. Mas saímos no alto da serra do Rio Bonito, duas ou três vezes mais alta que a Mutuca. Na beirada de uma pedra negra descansamos. Foi na chegada daquele ponto alto de observação que Sidney capotou e deu duas cambalhotas no chão seco lá das grimpas do pasto.

Voltamos sem chegar em Sta. Izabel do Rio Preto. Almoçamos em Amparo e tocamos para casa. Todo mundo acha que Val dava um bom treinador de soldados do Bope, pois cada pedalada com ele exige o que temos e o que não temos de reservas físicas e de caráter. Como dizia Geovani: "É num esforço desses que a gente separa os meninos das meninas". Eta cara machão.

sexta-feira, outubro 12, 2007


CIRCUITO DO ARROZAL

Liderança não tem a ver com idade. Quando saímos neste domingo 07/10/2007, fui liderando o passeio por um caminho que já conhecia parcialmente, acompanhava-me: Dunga, Manoel, João Bosco, Sidney, Márcio e Jorge. Ora, aprendi a fazer mountain bike com essas duas feras, Dunga e Manoel, e mesmo guiando o grupo por uma estrada muito bonita me preocupava em proporcionar um passeio legal para esses amigos que tantos lugares bonitos me mostraram.

Descemos a estrada dos Mineiros que Dunga disse se chamar “trilha da meleca”, porque nos tempos em que chovia com mais freqüência o percurso era muito embarrado e com trechos cheios de esterco bovino.

Depois de um café reforçado em Arrozal tomamos a estrada velha para Pirai com seu transcurso maneiro com algumas subidas e uma ótima descida. Manoel, nosso disc-jockey, com seu rádio prezo ao guidon criava um fundo musical que não atrapalhava ouvir os cantos dos pássaros – o repertório tocava músicas antigas de Orlando Silva, Carlos Galhardo, Ângela Maria e outros cantores. Trocamos idéia sobre a facilidade que temos de lembrar aqueles sucessos do passado e de não conseguir guardar as letras das músicas atuais. Será que o Alzheimer já está chegando?

Quando chegamos na longa descida que se desce sem tocar nos freios pela estrada sem buracos, logo no início, fiz sinal para o grupo parar, numa curva bem a frente uma ciriema me olhava meio assutada. Saquei da maquina digital, mas dei caminho a João Bosco cuja máquina com zoom ótico chegaria mais perto do pássaro. Mas o bicho que caçava cobras mortas numa recente queimada não gostou da idéia de ser fotografada e saiu correndo com suas longas pernas e saindo da estrada enveredou pelos campos.



Fiquei satisfeito quando mestre Dunga declarou que nunca tinha passado por aquele pedaço, ele que conhece mais de 100 trilhas, e elogiou as belezas do lugar. Mais adiante, ficamos impressionados com uns garotos que encontramos na trilha quase chegando à fazenda da Grama. Numa bicicleta velha e sem marchas três pirralhos se equilibravam e um magrelo de perna fina conseguiu andar na frente da gente. Comentamos sobre quantos talentos se perdem neste país pobre que não investe em sua infância porque tantos político ricos não conseguem parar de roubar o dinheiro que podia ser gasto com esses meninos.

Visitamos o velho casarão da fazenda da Grama que já serviu de hotel, concentração para a seleção de futebol de 1958 e cassino. Com muita sede bebemos um caldo de cana gelado a beira da represa da Light.