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segunda-feira, junho 08, 2015

Travessia da Serra Negra

Nunca diga: não volto mais lá.
(foto da serra de Itatiaia tirada da van quando subíamos depois de Engenheiro Passos)

Neste domingo, 07/06/2015, fiz um pedal que foi ao mesmo tempo muito bonito e terrivelmente pesado. Passei por lá há alguns anos e tinha prometido nunca mais voltar. E voltei.

Mas deixe-me explicar o que é a Travessia da Serra Negra. Por trás das Agulhas Negras desdobram-se várias serras. A Serra Negra separa um arraial onde produzem queijos, mel, farinha de mandioca e de milho e rapadura, de Visconde de Mauá e outras cidadezinhas que vivem cheias de turistas que compram esses artigos feitos artesanalmente. Então, os produtores formam tropa de burros e sobem e descem a serra. Pois foi esta Trilha dos Tropeiros que fomos percorrer.
(à esquerda o vale da Serra Negra, bem à direita Maromba, no meio a montanha - uma linha de fotos marca o caminho que fizemos)

Esta serra tem seu arcabouço de granito coberto por uma grossa camada de saibro. As pisadas dos animais soltam esse material e as chuvas arrastam-no formando valas, voçorocas e pequenos cânions.

Não dá para pedalar naqueles altos, empurramos as bicicletas levantadas rodando só com as rodas traseiras. Mas a natureza enche os olhos e os corações.

Mas um pedal cria maravilhosas situações. Passamos por um restaurante onde faríamos a refeição.
- Disseste bem, Zé. Faríamos, mas ele estava fechado.
Dai começamos a subida de uma serra que de maneira alguma poderia ser feita de estômago vazio. Deixei a rapaziada consertando um pneu e subi procurando quem nos desse um almoço. Logo acima encontrei a casa de ‘seu’ João e ‘dona’ Maria. Ela fez uma comida bem simples: arroz, feijão, macarrão, torresmo e farinha de milho. Mas tudo refogado com gordura de porco. Estava muito gostosa.

Meu Deus, e essa gente hospitaleira mora numa casa de dois cômodos e feita de madeira.

Estávamos num vale e tocamos a subir até 2.000 m. O alto das serras ali são campos de altiplano, com vegetação rasteira.


O ar frio e limpo fazia um enorme bem. Cheguei a tirar uma soneca esperando os jovens que vinham retardatários. Aqueles altos quase intocados pelo ser humano mistura: matas não tropicais – sem cipós, espinheiros e arbustos – com campos gramados. Enquanto subíamos estávamos defronte da serra de Itatiaia,

mas quando dobramos a cumeeira apareceu a Pedra Selada.

Depois ficou muito cascudo o caminho, uma descida completamente erodida que tornava a trilha no meio da mata interminável.

Mas fiquei feliz de ouvir a rapaziada falando animada: este foi o pedal mais desafiador que já fizemos! E olha que eles andam por muitos caminhos. Enfim, chegamos em Maromba.     

Um comentário:

Eduardo Pires disse...

Muito bacana Sr. José Adal, um verdadeiro guerreiro