Segunda-feira, Novembro 09, 2009


Passei a ponte Bela faz tempo. Desço agora para São João Marcos com meu burro Moreno e a mula Rosita. Sou mascate, José de Souza, e enquanto me equilibro sobre a cavalgadura vou escrevendo esses garranchos, depois passo a limpo. Gosto de escrever e às vezes um jornal publica uma matéria minha. Mas estou a trabalho, trago nos alforjes tecidos de belas cores, sapatos e botinas, agulhas, linhas e botões. Espero fazer bons negócios. Sinto-me como um desbravador, pois cada carregamento que trago para esses interiores dá aos moradores um pouco mais de conforto o que ajuda as mulheres a aguentarem a vida difícil na roça mantendo as famílias nestas terras selvagens.

Opa meu burrinho! O caminho é calçado de pedras redondas o que faz as ferraduras derraparem. Ainda mais depois do temporal de ontem à noite. A cachoeira do rio Araras ronca aqui ao lado abafando o canto dos pássaros. Lá está a ponte sobre um dos rios e a cidade.

Estamos no ano de um mil oitocentos e cinquenta e já faz mais de trinta anos que o lugar foi elevado a Vila. O arruamento termina nos rios Araras e Panelas que tanto serve para andar de barco e pescar como serventia do esgoto. O jovem comendador Joaquim José de Souza Breves – não pense que é meu parente, se fosse eu estava feito, o homem tem mais de mil escravos e uma porção de fazendas – está mudando o lugar com a dinheirama que vem da produção de café. Vão até construir um teatro aqui! Vou ver se pego um pedaço de dinheiro vendendo meus produtos.

Esta noite tive um sonho estranho. Vi este lugar todo arrasado. Quase não tendo ficado pedra sobre pedra. E eu não cavalgava, andava numa estranha máquina, magra e com rodas. Vou descrever o que vi no sonho.

As casas são feitas de tijolo e pedras lavradas e até polidas. A igreja fica na parte alta com sua bela praça e a rua principal corre em nível mais baixo por onde passo agora com meus muares arrancando faíscas das pedras. Porque tudo aqui é calçado e as ruas tem calçadas com largas pedras aplainadas. Mas no sonho estava tudo acabado e árvores grossas abriam caminho nas calçadas.

No sonho o lugar tinha sido destruído para encher tudo de água. Imagine! Explodiram tudo, os belos sobrados e até a igreja, e uma voz me dizia que acabou que a água não conseguiu chegar até as casas. Foi tudo derrubado e o povo foi embora por causa de um plano mal calculado do governo. A voz do sonho me diz que o governo era de um ditador. Nem era rei nem imperador, pode? E eu vestia um uniforme muito estranho! Nunca que eu me vestia assim. Eta pesadelo mais besta!

Domingo, Outubro 25, 2009


IMPROVISO

Quando um artista se programa para executar uma peça ele passa dias estudando e treinando para fazê-lo bem. Assim foi como quando decidimos visitar a ponte Bela, Rio Claro, RJ.

Mas nesta segunda feira, 12/10, João Bosco e eu, não apareceu mais ninguém, decidimos improvisar e ao invés do passeio pretendido fomos para Pirai passando por Pinheiral. Aproveitamos para saber mais sobre a fazenda Confiança que por estar em litígio judicial só nos foi permitido fotografar por fora. (foto de J.Bosco)

Foi quando passaram seis ciclistas indo para Santanésia e resolvemos nos juntar ao grupo improvisando outro passeio.

Depois de forrarmos o estômago com sanduiche de mortandela e refrigerante empreendemos a volta subindo pelo Areal e desviando da cratera aberta pelas chuvas de janeiro por um trilho à direita.

Depois foi descer até Barra do Pirai e tomar o caminho bem conhecido de Vargem Alegre.
Já que era um dia de improvisação decide procurar um atalho entre o alto do Areal e o fim da subida da Tissen, mas fora uma pizza que me surgiu de improviso, o atalho não diminuiu nada e andei atrás dos colegas até chegar em casa. É o que dá improvisar.