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segunda-feira, outubro 13, 2008


Falando em almoço preparado pela mãe natureza olha só a turma se abastecendo para continuar pedalando. Voltamos pelo asfalto, mas logo o deixamos de lado e enveredamos por outra trilha até chegar aos nossos carros que nos esperavam. Correndo para casa com as bikes pendurados no bagageiro já íamos planejando outras aventuras.

sexta-feira, outubro 10, 2008


Gosto muito do estalo que faz uma porteira batendo, o som se espalhando pelo pasto, rolando sobre o capinzal até se perder na distância. Pláááááá´. Não tem paredes para confiná-lo e a sensação de liberdade absoluta misturada com a de pequenez diante deste mundo grande, faz um bem enorme a alma da gente. Mas ontem à tarde, fazendo uma pedalada vespertina com mestre Dunga aprendi outra coisa sobre uma porteira.

Têm pessoas que são materialistas, descrentes sobre um outro mundo paralelo ao nosso com seres que vivem e têm sentimentos, alguns são muito elevados, tanto que se tornaram santos, seres iluminados, outros ainda estão presos a vida que levaram entre nós humanos e são egoístas e vingativos, são chamados de almas penadas ou exús. Dunga, muito espiritualista, me contou que nas encruzilhadas e porteira ficam encostados seres deste tipo e que é bom se pedir licença pra passar. Concordei na hora, mas decidi que além de solicitar permissão para atravessar para o outro lado do caminho também vou rogar o direito de deixar a porteira bater para escutar aquele estalo bom que purifica a minha alma mortal, plááááááá.

E isto tem que ser feito rapidinho, sem parar, porque o bom da pedalada é estar sempre em movimento, vendo o cinema da vida desfilar diante de nossos olhos. Bem, é verdade que às vezes há motivos fortes que nos fazem parar. Ontem, sai com Dunga, estava bastante frio e os companheiros que costumam pedalar à tarde, o Pedro e o Jorge, preferiram ficar debaixo do cobertor. Fomos para os lados de Pinheiral e depois seguimos à direita para Arrozal. Numa curva quase passamos sem ver um pássaro selvagem meio tonto na beira da estrada. Voltamos. Dunga, profundo conhecedor de plantas e bichos, chamou a ave de franguinho d'água. Do jeito que ele estava ia acabar atropelado e como o ciclista é acima de tudo um protetor das coisas de nosso mundo descemos das bikes e enquanto eu o pegava Dunga filmou este encontro do homem com um ser inferior a nós mas tão importante na continuação da vida na Terra.

Depois de deixá-lo na mata, longe do trânsito humano, seguimos para Arrozal e fizemos outra parada. É de lei alimentar o corpo que se exercita. Entramos na padaria do “seu” Chico, amigo de Dunga que aproveitou para me mostrar os fundos onde viram a massa e assam o pão, tudo na maior limpeza. Tomamos um café quente com um bolo tão macio que desmanchava na boca.

Demoramos mais do que o normal porque apareceu um desportista que o colega me apresentou, Hilton, que vai participar da meia maratona do Rio de Janeiro neste final de semana. Também é um homem do pedal, indo muitas vezes de Arrozal a Nova Iguaçu, onde também tem casa, e voltando. Ele nos convidou para participar de um passeio ciclística dia 19/10 em Nova Iguaçu subindo para o parque estadual do Tinguá. É uma coisa para pensar.
Mas como ciclista não pode ficar parado, a conversa estava boa, mas tivemos de retomar o caminho voltando para casa pela trilha da Melequinha. Até que não estava enlameada, apesar da chuva desses dias.

O dia nublado fez a tarde acabar mais cedo. Ainda não eram 18 horas e a escuridão já vinha chegando. O frio estava de raxar. Mas se tivesse ficado na cama quanta coisa teria perdido! Nesta vida temos de aproveitar cada minuto, não como se fosse o último, mas para ficarmos cada vez melhores e mais humanos. Não é?

quarta-feira, outubro 01, 2008


Hoje o passeio foi uma grande volta. Saindo da prefeitura de Volta Redonda seguimos para Pinheiral pela antiga linha de trem (passamos pelo túnel com o pessoal fazendo a maior gritaria), depois até Vargem Alegre de onde atravessamos para Dorândia e dali seguimos subindo até São José do Rio Preto onde almoçamos. Foi aquele grande companheirismo, os ciclistas hora conversando com um um ora com outro, os assuntos variando conforme o interesse dos que dialogam. (foto de JBosco)

Como nas sete horas de pedalada a gente fica bastante tempo sozinho pode se entregar a reflexão. Neste passeio passou pela minha cabeça um tema recorrente: o tempo. Primeiro pensei em como ele vai modificando a situação de cada um e fazendo que não se veja colegas que eram parceiros constantes das pedaladas. Há quanto tempo não pedalo com Dunga? Há quatro anos atrás encontar com ele e Manoel nas manhãs de domingo era tão certo quanto ver o sol levantando lá em baixo sobre o rio Paraiba. Agora, neste pedaço do tempo, tem ficado bem difícil vê-los. Disto tiro uma lição: enquanto dá o melhor é a gente aproveitar porque o tempo é danado para puxar o tapete da gente. Que vale que uns colegas vão e outros chegam, isto também é um efeito do tempo, que é curador de todas as feridas. (foto de JBosco)


Depois, o tempo desfilou por todo nosso percurso materializado em antigos prédios. Os colegas que vieram de Resende para nos acompanhar tiraram fotos da fazenda Confiança, perto do clube de campo dos Aposentados de Volta Redonda. Não encontrei informações sobre a data de construção, mas está caindo aos pedaços e reformada daria um belo hotel. Em Dorândia subi para a antiga praça do arraial e fotografamos a velha igreja de N. S. das Dores que ninguém soube dizer quando foi construída. Em um dos pontos altos do caminho para S. José do Turvo admiramos a fazenda Monte Santo, também mal cuidada. Subi a rampa de entrada, cheguei nos fundos quase até a cozinha e conversei com a dona da casa que não soube precisar a data da construção. Esses imóveis eram provas físicas do que o tempo vai fazendo com as coisas materiais, corrompendo-as, “tudo se transforma”, como disse Lavoisier.

(detalhe da foto do amigo Jorge, de Resende)

Por fim foi o tempo (sem dúvida também porque gosto muito de andar em trilha de boi e de estrada no meio da mata) que me fez deixar alguns colegas seguirem com Gideão para Amparo enquanto tomava o caminho pela fazenda Saint Gobain. Implico com a volta de Amparo para casa pelo asfalto. As três subidas que têm neste trecho depois de horas pedalando me aborrecem. A trilha da carvoaria, que percorri, tem raras subidas pequenas e economiza mais de meia hora. Não é nada não é nada é algum tempo. Não disse? Hoje o mote do passeio para mim foi o tempo, abstrato, mas um tremendo rolo compressor. Mas que jamais deixemos de parar para ver um detalhe da natureza por causa dele, do tempo. (detalhe de uma antiga foto de J.Bosco)