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sexta-feira, junho 25, 2010

Indo bem longe
Quando um ciclista sai para fazer uma trilha desconhecida, longe de sua casa, os conhecidos o chamam de maluco, não entendem porquê alguém precisa fazer um esforço desses às custas de nada. Quem o ama, conhece as inquietudes que lhe vão pela alma, sabe que seu amor veio nesta vida com uma alma agitada e só por isto se encontraram e se escolheram. Assim, abençoa sua partida pedindo a Deus que ele volte logo.
Vejo isto nas viagens incansáveis dos vikings, conforme conta o livro A Cruzada de Ouro: "Mas foram dominados por uma onda de excitação e fizeram um caminho bem longo, estavam agora, bem longe da pátria deles. A presença viking aqui em L'Anse aux Meadows, na América do Norte, está totalmente documentada, corroborada pela arqueologia. Meio enlouquecidos por causa da sede e do cansaço, alguns deles ainda estropiados por seus ferimentos em Stamford Bridge, eles devem ter ficado aterrorizados, mas estimulados, temerosos de a qualquer momento chegar inesperadamente ao fim do mundo, mas aproximando-se a cada dia de Ragnarok, da prova final onde se juntariam à corajosa batalha de Odin e Thor pela última vez, com suas grandes achas-de-armas. Para nós o trópico parece benigno, mas para os vikings ele deve ter sido uma visão do inferno, um aglomerado de aura vermelha que parecia arrastá-los para mais perto de seu destino".
Uma pessoa comum dificilmente pode compreender a mistura de sede, fome, frio, músculos doloridos e membros feridos, envolvidos por ansiedade e medo, que sente o homem e a mulher que testam suas forças, não, suas fraquezas. Mas é uma comoção física que aproxima a pessoa de uma experiência espiritual. Os sentidos ficam tão excitados, a dor é tão real que se parece com uma revelação, um momento glorioso numa batalha de anjos. Essa vivência fica registrada na alma, passa a fazer parte das verdadeiras riquezas que um espírito ao passar pela Terra leva para eternidade. Não fique satisfeito com uma vida comum, tente uma coisa nova e mais forte que te acrescente algo. Seja um viking.

2 comentários:

Carlos Bernardo disse...

Adorei seu comentário, boa tarde amigo!
a gente cicloturistas somos que nem vikingues.
Abraço e boas pedaladas.

Michel Schanuel Girardi disse...

Eu tenho certeza que você seria um desses vikings enfrentando o desconhecido sem temer todas as adversidades.

As vezes eu também acho que vc nasceu na época errada, Sr. Zé Adal... rsrs

Suas palavras são demais, dá gosto de ler suas histórias.

Um abração!